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Fado Bicha lançam primeiro álbum

A dupla Fado Bicha acaba de lançar o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Ocupação”, que denuncia o silenciamento a que estão obrigadas as pessoas da comunidade LGBTQ+.

Por Equipa MySpotVip · Actualizado a · 2 min de leitura

fado bicha

A dupla Fado Bicha acaba de lançar o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Ocupação”, que denuncia o silenciamento a que estão obrigadas as pessoas da comunidade LGBTQ+.

Em conversa com a agência Lusa, Lila Fadista, encarregue da voz e letras do grupo, explica que o nome “Ocupação” “simboliza muito bem esse processo não só de ocupar um espaço que não existia, sentar, puxar uma cadeira que não estava lá e sentarmo-nos à mesa, ocupar um património com os nossos corpos”.

Esclareceu, ainda, que se trata de “ocupar” um lugar na própria história pessoal.

O álbum traduz as formas como achamos importante fazer essa ocupação, invocando o passado com músicas como o “Requiem para Valentim”, sobre o Valentim de Barros [bailarino e homem gay português forçosamente institucionalizado], a “Medusa” invoca a Gisberta [mulher transsexual assassinada por um grupo de adolescentes] e, invocando também o futuro, trazendo novas formas de pensar o que é e o que significa ser queer em Portugal”, disse.

Por sua vez, João Caçador, guitarrista e compositor de Fado Bicha, refere que existe “um ato quase de sobrevivência” em todas as pessoas na comunidade LGBTI que crescem em Portugal, denunciando uma nação onde quase ninguém está preparado (ou disposto) a recebê-las, desde o sistema de saúde à própria família.

“Nascemos aos trambolhões e crescemos nesses trambolhões, chegarmos e ocuparmos um lugar que faz parte do centro, um património histórico como o fado, mas também um património cultural, musical, social e ocuparmo-lo é uma vitória muito grande e é um ato de resistência, é um ato político, obviamente, mesmo que não quiséssemos”, acrescentou na entrevista à Lusa.

João Caçador sublinhou também que “o ponto mais importante” é “criar um símbolo”, visto que a história das pessoas LGBTI “é feita de vazios”.

Lila Fadista é exemplo disso, sendo que apenas a participação no Festival da Canção, da RTP, abriu portas à membra dos Fado Bicha para que pudesse ser ouvida em casa de outras pessoas “sem concessões”, causando o que a dupla afirma ter sido um debate e um incómodo.

“A nossa música trazia uma riqueza para além da questão musical e não valorizarmos isso para nós também é muito importante, num momento em que o país tem 12 deputados do Chega e nós não valorizamos uma proposta que vem falar sobre isso”, disse João Caçador.

Lila também visou o Chega e André Ventura, apontando que a música “Lisboa Não Sejas Racista” faz sentido num momento em que o país tem “um partido com narrativas flagrantemente fascistas e xenófobas como terceira força política”.

Fado Bicha considera-se, assim, um “projeto de intervenção”, responsável por desenvolver um “trabalho ativista” contra um “silenciamento histórico” da comunidade LGBTI, lembrando que, até ao ano de 1982, a homossexualidade era ilegal em Portugal.

Para os Fado Bicha o objetivo é o de continuar “a ter esta prática de refletirmos as nossas preocupações que estão à nossa volta”.

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Escrito por João Serra

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